domingo, 22 de junho de 2014


Trabalhando a concentração


    Muitas crianças são agitadas porque o ambiente em que vivem não favorece que sejam tranquilas. Sons altos, televisão ligada o dia todo, irmãos chorando querendo brincar falta de espaço próprio para estudar ou um cantinho para ler.

     Trabalhar a concentração nem sempre é coisa fácil. Algumas crianças têm mais facilidade em se concentrar, pois traz em seu DNA características herdadas de seus pais como ser calmo, paciente, persistente.

     É importante que a família seja organizada com os filhos, desde a mais nova idade, proporcionando um ambiente calmo para seu crescimento, pois essa ordem o ajudará a crescer mais tranquilo. À medida que crescem, os pais podem colaborar mais ainda com o desenvolvimento de uma boa concentração.

    Assistir a filmes e desenhos animados ao lado do filho; brincar de montar canudos, brincar de separar cores, brincar de jogo da memória dentro da faixa etária da criança; desenhar; ensinar-lhes jogos de tabuleiro como dama e xadrez; quebra-cabeças e jogos de montar são formas de incentivar a concentração dos pequenos. Sem falar das histórias contadas em cima de almofadas e tapetes, que favorecem um ótimo relaxamento, ou mesmo na cama na hora de dormir.

      Procure sempre conversar olhando nos olhos do seu filho, prestando atenção nas coisas que ele fala. Esta é uma forma dele descobrir o quanto é importante e gostoso dar e receber atenção. É bom lembrar que as crianças que não recebem cuidados adequados tendem a ser mais agitadas como forma de chamar a atenção dos pais.

      A família deve ficar atenta aos momentos de concentração dos pequenos e estimulá-los. Evite interromper uma leitura chamando-o para sair, não mude o canal da televisão quando o filho estiver concentrado assistindo a seu desenho predileto, não faça barulho no momento das tarefas escolares, nem deixe ligados rádios e televisores, ajude-o a montar um quebra-cabeça, caso esteja com dificuldade.

      Dessa forma a criança irá se tornando tranquila, percebendo que é respeitada nas coisas que faz e que seus pais estão sempre dispostos a ajudá-la quando precisam.







sexta-feira, 6 de junho de 2014


 JÃO E PÉ DE FEJÃO



     A dislalia é um distúrbio que acomete a fala, caracterizado pela dificuldade em articular as palavras. A pessoa portadora de dislalia, troca as palavras por outras similares na pronuncia, fala erroneamente as palavras, omitindo ou trocando as LETRAS. Em resumo, as manifestações clínicas da dislalia consistem em omissão, substituição ou deformação dos fonemas.

     Podemos afirmar que a palavra do dislálico é fluída, ainda que possa ser incompreensível, sendo que o DESENVOLVIMENTO da linguagem pode ser normal ou atrasado. Não há intervenção na musculatura responsável pela emissão das palavras.

     Crianças que chupam chupeta e mamam mamadeira por um tempo prolongado, bem como as que chupam o dedo ou mesmo mamam pouco tempo no seio, podem apresentar um quadro de dislalia. Apesar de não existir relação direta, é indiscutível que essas crianças passam a apresentar flacidez muscular e postura indevida da língua, o que pode resultar nesse distúrbio. Outras causas são: línguas hipotônicas (flácidas), podendo ainda apresentar alterações na arcada dentária, ou então, falhas na pronúncia de determinados fonemas em consequência da postura e respiração dificultada.

     A dislalia pode ser subdividida em quatro tipos:

· Dislalia evolutiva: considerada normal em crianças, sendo corrigida gradativamente durante o seu desenvolvimento.

· Dislalia funcional: neste caso, ocorre substituição de letras durante a fala, não pronunciar o som, acrescente letras na palavra ou distorce o som.

· Dislalia audiógena: ocorre em indivíduos que são deficientes auditivos e que não conseguem imitar os sons.

· Dislalia orgânica: ocorre em casos de lesão no encéfalo, impossibilitando à correta pronuncia, ou quando há alguma alteração na boca.

     Até os quatro anos de idade, os erros de linguagem são considerados normais. Todavia, após essa fase, a criança pode vir a ter problemas caso continue falando errado, podendo afetar até a escrita. O caso clássico desse distúrbio é o Cebolinha, personagem da Turma da Mônica.

     O psicopedagogo trata a dislalia com o auxilia de um fonoaudiólogo e varia de acordo com a necessidade de cada criança.



sábado, 17 de maio de 2014

           
            TRANSTORNO OU DISTÚRBIO DE APRENDIZAGEM?


       No Transtorno de aprendizagem, há a presença de uma disfunção neurológica, que pode envolver imaturidade, lesões específicas do cérebro, fatores hereditários e ou disfunções químicas. Devido à forma irregular que as habilidades mentais se desenvolvem, aparecem discrepâncias marcantes entre a capacidade e a execução nas tarefas acadêmicas.

São características marcantes dos Distúrbios de Aprendizagem:

· Início do comportamento ou atraso sempre na infância;


· O transtorno está sempre ligado à maturação biológica do sistema nervoso central;


· Curso estável;


· As funções afetadas incluem geralmente a linguagem, habilidades viso-espaciais e/ou condições motora;

· Há uma história familiar de transtornos similares e fatores genéticos têm importância na etiologia (conjunto de possíveis causas) em muitos casos.

     Segundo estimativas da Organização Psiquiátrica Americana, a prevalência dos Transtornos da Aprendizagem, variam entre 02 a 10% na população, dependendo da natureza da averiguação e das definições aplicadas e estes podem persistir até a idade adulta.

     Os principais Transtornos de Aprendizagem são os de Leitura e Escrita, de Cálculo, o Transtorno do Déficit de Atenção e/ou Hiperatividade e o Transtorno não Verbal de Aprendizagem.

     O diagnóstico desses Transtornos deve ser realizado por profissionais especializados e experientes, em uma equipe multiprofissional que garanta também o planejamento e a intervenção objetivando minimizar os efeitos de tais distúrbios sobre a vida da criança.

     Essa equipe deve ter necessariamente a presença de um psicopedagogo, profissional habilitado em trabalhar com as questões da Aprendizagem e que partirá de seus conhecimentos transdisciplinares, para trabalhar e promover o desenvolvimento de estratégias cognitivas de aprendizagem, de estudo, as operações mentais para a realização das tarefas de cunho pedagógico, aumentar a autoestima e a motivação intrínseca da criança, dentre outras.

     É possível encontrarmos crianças cujo rendimento escolar apresenta-se empobrecido frente aquele esperado por seus pais e professores e que não apresentam transtornos de aprendizagem, porém, o fraco desempenho na aprendizagem nunca deve ser desconsiderado ou minimizado pois representa o ponto de partida para o diagnóstico da dificuldade e do transtorno no aprender.

     Se uma criança chama a atenção de seu professor pela problemática que apresenta para aprender e se esta dificuldade não demonstrou ter ligação com a prática pedagógica usada, a avaliação desse profissional deve necessariamente ser levada aos pais, no sentido de alertá-los a procurarem um trabalho especializado na área da aprendizagem.

     O psicopedagogo tem formação multidisciplinar e informação suficiente, para após avaliar a criança, a encaminhar para outra especialidade se assim for necessário. E, no mínimo, no final da avaliação psicopedagógica, os pais já terão afastado a maior parte das possibilidades de diagnósticos prováveis em dificuldades e transtornos de aprendizagem.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

                           Agora é a vez da decoração.

         Queridos leitores as duas primeiras semanas de maio vou escrever  sobre dicas para o "Dia das Mães", atendendo  pedidos das  minhas amigas educadoras. Já falamos  sobre a origem do dia e postamos  modelo de lembranças, agora vamos falar da decoração do espaço no dia da homenagem que é tão importante quanto as lembranças.

       Eu recomendo que façam na escola, se  tiver espaço claro. Realizando na escola  é bom porque pode ser uma excelente oportunidade para levar as mães até a escola, fazer ainda mais a integração escola x família. Convide algumas mães para ajudar na decoração, é preferível fazer todo decoração pela manhã se decidirem fazer jantar, assim dá tempo todas descansarem, ajeitar cabelos, unhas dentre outras coisas que mulher gosta de fazer para ficar mais bonita. Veja o modelo de alguns painéis  para ajudá-las. O próximo assunto estou pensando em cardápio. Então, boa festa!









sábado, 26 de abril de 2014


      Minha mãe, minha rainha!


      Mãe é a melhor coisa deste mundo, isso todos concordam. Tenho certeza disso. 2º domingo de maio é comemorado o dia das mães e os educadores tem uma grande preocupação, o que fazer envolvendo a turma para homenagear as mães já que muitos alunos fazem uma bagunça na hora de fazer uma atividade lúdica de pintura, corte e colagem. Eles jogam papel, tesoura, tinta, cola em todo lugar. 

      Bem, que tal começarmos pela origem da história do dia das mães? A mais antiga comemoração dos dias das mães é mitológica. Na Grécia antiga, a entrada da primavera era festejada em honra de Rhea, a Mãe dos Deuses. O próximo registro está no início do século XVII, quando a Inglaterra começou a dedicar o quarto domingo da Quaresma às mães das operárias inglesas. Nesse dia, as trabalhadoras tinham folga para ficar em casa com as mães. Era chamado de "Mothering Day", fato que deu origem ao "mothering cake", um bolo para as mães que tornaria o dia ainda mais festivo.

     Nos Estados Unidos, as primeiras sugestões em prol da criação de uma data para a celebração das mães foi dada em 1872 pela escritora Júlia Ward Howe, autora de "O Hino de Batalha da República". Mas foi outra americana, Ana Jarvis, no Estado da Virgínia Ocidental, que iniciou a campanha para instituir o Dia das Mães. Em 1905 Ana, filha de pastores, perdeu sua mãe e entrou em grande depressão. Preocupadas com aquele sofrimento, algumas amigas tiveram a ideia de perpetuar a memória de sua mãe com uma festa. Ana quis que a festa fosse estendida a todas as mães, viva ou morta, com um dia em que todas as crianças se lembrassem de homenageassem suas mães. A ideia era fortalecer os laços familiares e o respeito pelos pais.

    Durante três anos seguidos, Ana lutou para que fosse criado o Dia das Mães. A primeira celebração oficial aconteceu somente em 26 de abril de 1910, quando o governador de Virgínia Ocidental, William E. Glasscock incorporou o Dia das Mães ao calendário de datas comemorativas daquele estado. Rapidamente, outros estados norte-americanos aderiram à comemoração.

     Finalmente, em 1914, o então presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1913-1921), unificou a celebração em todos os estados, estabelecendo que o Dia Nacional das Mães deveria ser comemorado sempre no segundo domingo de maio. A sugestão foi da própria Ana Jarvis. Em breve tempo, mais de 40 países adotaram a data.

     O sonho foi realizado, mas, ironicamente, o Dia das Mães se tornou uma data triste para Ana Jarvis. A popularidade do feriado fez com que a data se tornasse um dia lucrativo para os comerciantes, principalmente para os que vendiam cravos brancos, flor que simboliza a maternidade. "Não criei o dia as mães para ter lucro", disse furiosa a um repórter, em 1923. Neste mesmo ano, ela entrou com um processo para cancelar o Dia das Mães, sem sucesso.

      Ana passou praticamente toda a vida lutando para que as pessoas reconhecessem a importância das mães. Na maioria das ocasiões, utilizava o próprio dinheiro para levar a causa a diante. Dizia que as pessoas não agradecem frequentemente o amor que recebem de suas mães. "O amor de uma mãe é diariamente novo", afirmou certa vez. Ana morreu em 1948, aos 84 anos. Recebeu cartões comemorativos vindos do mundo todos, por anos seguidos, mas nunca chegou a ser mãe.

Durante a primeira missa das mães, Anna enviou 500 cravos brancos, escolhidos por ela, para a igreja de Grafton. Em um telegrama para a congregação, ela declarou que todos deveriam receber a flor. As mães, em memória do dia, deveriam ganhar dois cravos. Para Anna, a brancura do cravo simbolizava pureza, fidelidade, amor, caridade e beleza. Durante os anos, Anna enviou mais de 10 mil cravos para a igreja, com o mesmo propósito. Os cravos passaram, posteriormente, a ser comercializados.

      No Brasil, o primeiro Dia das Mães brasileiro foi promovido pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, no dia 12 de maio de 1918. Em 1932, o então presidente Getúlio Vargas oficializou a data no segundo domingo de maio. Em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, determinou que essa data fizesse parte também no calendário oficial da Igreja Católica. Então, já que sabemos agora da origem, que tal organizar a turma em dupla, decidir com eles que lembrancinha cada um que fazer, pode até fazer uma votação, exponha várias opções de lembranças a que tiver mais votos ganhará e será confeccionada pela turma. Boa aula e boa e festa! Veja alguns modelos de lembranças.







quinta-feira, 24 de abril de 2014

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM



Dentre vários  transtornos de aprendizagem o mais frequente são: leitura e escrita.
O transtorno de leitura, também conhecido como dislexia, é caracterizado por uma dificuldade específica em compreender palavras escritas. Dessa forma, pode-se afirmar que se trata de um transtorno específico das habilidades de leitura, que sob nenhuma hipótese está relacionado à idade mental, problemas de acuidade visual ou baixo nível de escolaridade.
Dislexia é um dos muitos distúrbios de aprendizagem. É um distúrbio específico de origem constitucional caracterizado por uma dificuldade na decodificação de palavras simples que, como regra, mostra uma insuficiência no processamento fonológico. Essas dificuldades não são esperadas com relação à idade e a outras dificuldades acadêmicas cognitivas; não são um resultado de distúrbios de desenvolvimento geral nem sensorial. A dislexia se manifesta por várias dificuldades em diferentes formas de linguagem frequentemente incluindo, além das dificuldades com leitura, uma dificuldade de escrita e de soletração.
No transtorno de leitura podem ser caracterizadas distorções, substituições e omissões de palavras na leitura oral. Tanto a leitura em voz alta, quanto à silenciosa caracterizam-se por lentidão e erros de compreensão.
O transtorno de escrita, também conhecido como Disortografia, consiste em habilidades de escrita acentuadamente abaixo do nível esperado. Geralmente, existe uma combinação de dificuldades na capacidade do indivíduo de compor textos escritos evidenciados por erros de gramática e pontuação dentro das frases, má organização dos parágrafos, múltiplos erros de ortografia e caligrafia ruim.
A disortográfica consiste numa escrita, não necessariamente digráfica, mas com numerosos erros, que se manifesta logo que se tenham adquirido os mecanismos da leitura e da escrita. Um sujeito é disortográfico quando comete um grande número de erros.
Dentre os diversos motivos que podem condicionar uma escrita desse tipo, destacamos:
- Alterações na linguagem: atraso na aquisição ou no desenvolvimento e utilização da linguagem, junto a um escasso nível verbal, com pobreza de vocabulário (código restrito), podem facilitar os erros de escrita. Dentro desta área estão os erros originados por uma alteração específica da linguagem, como são os casos das dislalias e/ou disartrias, prejudicando o desenvolvimento.
- Erros na percepção, tanto visual como auditiva: fundamentalmente estão baseados numa dificuldade para memorizar os esquemas gráficos ou para discriminar qualitativamente os fonemas.
- Falhas de atenção: se esta é instável ou frágil, não permite que a criança, em sua fase inicial, promova uma fixação dos grafemas ou dos fonemas corretamente.
Uma aprendizagem incorreta da leitura e da escrita, especialmente na fase de iniciação, pode originar lacunas de base com a consequente insegurança para escrever. Igualmente numa etapa posterior, a aprendizagem deficiente de normas gramaticais pode levar à realização de erros ortográficos que não se produziriam se não existissem lacunas no conhecimento gramatical da língua na fase inicial do aprendizado.
Para Vygotsky, é o próprio meio que influencia na aprendizagem da criança, ou seja, a criança constrói o seu conhecimento a partir do momento em que interage com outras crianças. Essa socialização gradativa garantirá novos horizontes no seu aprendizado. Já Piaget destaca que a aprendizagem se processa em períodos e que a criança aprende de acordo com a faixa etária.
Outra teoria considerável é a da Emília Ferreiro, acreditando que a criança que convive num ambiente onde os pais são cidadãos que possuem maior grau de informação, possuem maiores condições de serem alfabetizados com mais frequência, devido ao acesso a leitura e a escrita.
Assim, o processo de alfabetização deve proporcionar situações nas quais os alunos participam de práticas sociais de leitura e da escrita.
Os termos dificuldades e transtornos de aprendizagem têm gerado muitas controvérsias entre os profissionais, tanto da área da educação quanto da saúde. Isto porque, há uma sintomatologia muito ampla, com diversidade de fatores etiológicos, quando se considera o aprendizado da leitura, escrita e matemática.
Entretanto, se faz necessária uma adequação nestas terminologias a fim de possibilitar uma homogeneização quando estes casos são discutidos pelos profissionais das áreas afins. Uma das principais preocupações dos professores, diretores, coordenadores  e supervisores, é saber que a escola ainda não consegue responder, eficazmente, ao desafio de trabalhar com as necessidades educacionais das crianças especiais, especialmente as relacionadas com os transtornos de aprendizagem de linguagem e escrita, como: dislexia, disgrafia, discalculia, disortográfica  dentre outras. No entanto, são transtornos que preocupam os pais porque sabem que o sucesso escolar de seus filhos dependem totalmente da aprendizagem eficiente da leitura e todos esperam ansiosos uma solução para tais problemas enfrentados nas instituições escolares.


sábado, 19 de abril de 2014


Os desenhos infantis falam?



Ao visitarmos Sete Cidades em Piracuruca, ou a Serra da Capivara em São Raimundo Nonato, no Piauí, nos deparamos com vários desenhos nas paredes feitos por civilizações passadas, vemos que eles transmitem mensagem, nos dá uma ideia de como era a vida de nossos antepassados.
 Hoje, muita coisa mudou. Comunicamos-nos por telefone, internet, o que não nos faltam são meios rápidos para nos comunicarmos.
Para a psicopedagogia, no entanto, nem sempre esses meio são viáveis, muitas vezes eles atrapalham. É preciso se desligar deles para que possamos ficar atento ao que a criança está falando através dos desenhos. Nesta atividade um aspecto importante em que a criança se expressa através do desenho as suas emoções, revelando segredos que se passam no seu mundo interior e que ainda não é capaz de comunicar pela linguagem oral.
Quando desenha, a criança conta histórias e às vezes representa, expressando sentimentos que até então estavam escondido; medos, frustrações. Desenhar para a criança vai além de uma atividade que utiliza papel, cartolina, lousa, muro, chão, madeira, pano e alguns instrumentos como lápis, giz, pincel, canetinha e até mesmo os dedinhos.
O desenho é uma maneira de a criança raciocinar, pois enquanto desenha está organizando em seu interior as ideias de mundo e construindo também as suas próprias ideias.

Métodos para estudo do desenho infantil

Utilizam-se para estudar o desenho infantil dois métodos:

Ø     Método estatístico ou estudo transversal: é o estudo feito com um grande número de crianças de diferentes idades. Por esse método ficam-se conhecendo diversos aspectos do desenho infantil, como temas preferidos, características de várias idades e de cada sexo, ou as características que acontecem em algumas idades e não em outras;

Ø     Método biográfico ou estudo longitudinal: este método consiste em colecionar muitos desenhos de uma mesma criança, desde as garatujas (rabiscos) até aproximadamente os 12 anos. Somam-se com os desenhos, as condições em que a criança se encontrava ao realizá-los, as cores por ela escolhidas, o espaço por ela utilizado no papel, às expressões fisionômicas enquanto desenha sua tonicidade e as figuras desenhadas e a importância e significado que a criança atribui a elas.

Desenvolvimento completo do desenho infantil.

Através do método estatístico, chegou-se a conclusão que as crianças menores de seis anos preferem desenhar figura humana, já a diferenciação quanto ao sexo é notada dos quatro aos oito anos.
As meninas preferem representar crianças, pois suas figuras trazem fitas no cabelo, carregam bolsas e geralmente após os seis anos se voltam às coisas domésticas, como mesa, toalhinhas, bandejas.
Já os meninos preferem desenhar adultos, pois notamos que suas figuras possuem chapéu, bengala e usam calças compridas. E ainda após os seis anos são mais voltados a objetos mecânicos como veículos e revólver. Após os seis anos, tanto as meninas, quanto os meninos, se voltam a objetos que fazem parte do seu cotidiano e da sua vida social.
As crianças, de maneira em geral, ao desenhar não têm noção de proporção, desenhando a cabeça maior que o corpo ou vice-versa. Com o desenvolvimento mental, a criança começa a ter noção de proporção revelando um maior acerto na dimensão de cada elemento da figura humana. Outra particularidade é a falta de orientação das partes do corpo, alguns elementos de frente, outros de perfil.
Sabemos, no entanto, que o desenho infantil evolui, Isto é, características próprias de uma idade não são as que aparecem em outras.

Características do desenho da figura humana

A criança, na maioria das vezes, esquece-se de partes do corpo humano, como tronco, orelha, porém prende-se a acessórios, como bolsas, cintos, brincos. Uma criança de mais ou menos quatro anos não coloca nas suas figuras uma base, sempre as desenha flutuando. A partir do desenvolvimento mental, a criança adquire essa noção, passando um traço por baixo do desenho. Porém, o adulto deve ficar atento a este detalhe, pois se uma criança com idade mais avançada continua a fazer seus desenhos sem colocar uma base, talvez esteja sentindo-se insegura e sem apoio.
Outra característica do desenho infantil é a rigidez, as crianças menores sempre desenham seus bonecos com braços, dedos e cabelos esticados e com o desenvolvimento mental, espera-se que os desenhos demonstrem mobilidade.
E por fim, a transparência, muitas vezes a figura humana aparece vestida, mas deixando transparecer o corpo através da roupa. As crianças, de uma maneira geral apresentam com mais frequência um traço contínuo, com linhas firmes, grossas e pesadas.

Outras características importantes
 CASA - o adulto deve estar atento quanto às portas e janelas da casa desenhadas pela criança, visto que estas representam o contato com o meio ambiente, ou seja, se uma criança desenha portas e janelas fechadas, leva-nos a pensar que talvez a interação com o ambiente e com as pessoas está difícil para ela.
FAMÍLIA - a criança que desenha sua figura isolada ou afastada dos familiares pode estar querendo mostrar a falta de comunicação entre os membros.
Percebemos também que quando a criança representa a sua figura por último, pode ser que esteja com a sensação de não receber a devida atenção na família. Daí a necessidade do adulto estar atento em qual ordem à criança faz seus desenhos. Quanto ao tamanho das figuras, o que vemos é que as pessoas da família com quem a criança tem maior proximidade afetiva são figuras desenhadas de forma maior, mais colorida e expressiva.
Verificamos que na maioria das vezes ao desenhar, o espaço é regido pelo emocional, ou seja, se a criança está vivenciando uma relação conflituosa com o pai, coloca-o no seu desenho no canto da folha, bem distante da família, mesmo não sendo sua real posição física.
ÁRVORE - quando a criança desenha uma árvore, devemos estar atentos quanto à copa desta árvore, pois representa a área da criatividade.
Outro aspecto é quanto aos frutos, pois estes representam o desejo de realizar coisas.
Em relação à linha do solo, que é à base da árvore, esta nos fornece dados sobre a necessidade de apoio.

Importância das cores

A simbologia das cores varia de cultura para cultura, ocorrendo uma diversidade de interpretações. No entanto quanto mais bizarro for o emprego da cor, maior a probabilidade de ter um significado representativo.
Amarelo  - é a cor da luz, do ouro e do sol. É a cor preferida por pessoas alegres, desinibidas, flexíveis e espontâneas. Quando utilizada pela criança com muita ênfase sugere um comportamento mais dependente e emocional.
Azul- é a cor do céu, do espírito. A contemplação do azul determina leveza e contentamento. É a cor preferida por pessoas calmas, seguras e equilibradas.
Laranja- é a cor preferida por pessoas confiantes, perseverantes, independentes e extrovertidas. Quando utilizado pelas crianças sugere desejo de conseguir algo e se valorizar.
Marrom- é a cor preferida de pessoas passivas, indiferentes, inseguras e observadoras de regras. Quando usado com muita ênfase por crianças, sugere inibição ou repressão.
Preto- é a ausência de todas as cores, transmite a sensação de renúncia, entrega, abandono e introspecção. Em crianças reflete repressão da vida emocional, ansiedade e luto.
Verde- é a cor da natureza, do crescimento, da reprodução, é chamada a cor do equilíbrio. Quando usada com muita ênfase pelas crianças sugere dificuldade de expressão das emoções.
Vermelho- universalmente considerado como símbolo fundamental do princípio da vida, é a cor do sangue. É uma cor ativa e estimulante. O interesse pelo vermelho decresce à medida que a criança supera a fase impulsiva e ingressa na fase da razão.
Violeta ou roxo- é uma cor resultante da mistura do vermelho com o azul e nas crianças reflete um temperamento mais sombrio ou tristeza.
Faz-se necessário que o adulto esteja cada vez mais atento e sensível à construção do desenho infantil, pois como pudemos perceber, este é um dos instrumentos utilizados pela criança para expressar suas emoções e conflitos. Através do seu desenho, a criança nos convida gentilmente a adentrar o seu mundo interior.
Quanto ao educador, no espaço rico da sala de aula, através da atividade de desenhar este terá oportunidade de conhecer mais intimamente o seu aluno e, dentro do que compete a sua função, acolher as emoções vivenciadas e junto a este aluno desenvolver uma relação de cumplicidade, amizade e afetividade.