quarta-feira, 25 de setembro de 2013


CRIANÇAS COM DIFICULDADES DE APRENDIZADO SÃO CAPAZES E INTELIGENTES.



Um dos maiores obstáculos sociais pelo qual passa a educação na atualidade é a integração e socialização das crianças com dificuldade de aprendizagem. Os pais que enfrentam essas dificuldades com seus filhos também são colocados essa difícil e árdua tarefa, pois não é fácil ter filhos com dificuldades no aprendizado, até que seja detectar é um tormento para eles e também para as crianças que muitas vezes são rejeitados, sofrem preconceitos, são chamadas de preguiçosas. As dificuldades de aprendizagem procedem essencialmente da capacidade de conceitualizar e processar  a informação, assim como do desenvolvimento das destrezas. As habilidades afetadas com maior frequência são:
v      Leitura;
v     Escrita;
v     Processamento auditivo e da fala, raciocínio e matemática.


As dificuldades de aprendizagem são causadas por diferenças no funcionamento cerebral e na formação pelo qual o cérebro processa a informação. As crianças com dificuldades de aprendizagem não são incapazes ou preguiçosas. Na realidade, geralmente têm um nível de inteligência similar ou superior à média. O problema reside no fato de que seu cérebro processa a informação de uma forma diferente da maioria, ou seja, mais lenta ou dependo da dificuldade mais rápida.


Não existe nenhuma cura para as dificuldades de aprendizagem: são dificuldade para toda vida. No entanto, as crianças com esse tipo de dificuldade podem progredir e, em muitos casos, podem aprender formas de superar suas limitações. Com o suporte adequado, as crianças com dificuldades de aprendizagem podem aprender e, de fato aprende, com sucesso. Ressaltamos a importância do lugar e do acompanhamento, das atividades que são realizadas com essas crianças.


Na realidade não é fácil detectar quando uma criança tem dificuldade no aprendizado, porém, existe, sim, uma série de indicadores que os psicopedagogos utilizam para detectá-las. A maior parte desses indicadores é detectada durante o período do ensino fundamental. É provável que a criança exibir vários dessas dificuldades, então os pais e educadores devem considerar a possibilidade de a criança ter uma dificuldade de aprendizagem.


Atualmente se considera fundamental que tanto os pais como educadores desempenhem um papel ativo no desenvolvimento e progresso das habilidades das crianças com dificuldades de aprendizagem. Essas crianças pedem ajuda em suas ações como:
Ø Agressividade;
Ø Mau comportamento;
Ø Inquietude;
Ø Não completam tarefas;
Ø Gritam muito;
Ø Ficam quietos demais;
Ø Lentidão;
Ø Agitação;
Ø Notas baixas.

Frisamos que nem todas as crianças que apresentam  essas ações têm dificuldades no aprendizado, por isso é que orientamos a observação, pois quando essas ações são repetitivas demonstram que algo não anda bem, essa criança necessitam de um acompanhamento melhor, um olhar investigativo.

terça-feira, 24 de setembro de 2013


APRENDIZAGEM  NÃO É UMA AÇÃO PASSIVA.


É complicado definir aprendizagem, ela abrange tudo que está envolvido no processo de aprender. Tentaremos defini-la da maneira mais sucinta possível. É importante que nos distanciamos de teorias simplistas que somente contemplem fenômeno de pontos de vista isolados, não é somente um processo de entrada e saída de informação, nem tampouco pode ser considerada somente a partir da área emocional.


O aprendizado integra o cerebral, o psíquico, o cognitivo e o social. Portanto, podemos afirmar que é um processo neuropsicocognitivo que ocorrerá num determinado momento histórico, numa determinada sociedade, dentro de uma cultura particular.
Destacaremos a influencia que toda a nossa bagagem tem sobre o aprendizado, ou seja, nossas experiências passadas, nossos sentimentos, nossas vivencias e as situações sociais nas quais se desenvolve o aprender. Nossa estrutura psíquica dá sentido aos processos perceptivos, enquanto a organização cognitiva sistematiza toda a informação recebida de uma forma muito pessoal de acordo com as experiências vivenciadas e as situações sociais onde elas se desenvolvem. Portanto os sujeitos da aprendizagem e seus modos de aprender são produtos das práticas culturais e sociais.


O processo de aprendizagem não é considerado mais uma ação passiva de recepção, nem o ensinamento uma simples transmissão de informação. Ao contrário, atualmente falamos da aprendizagem interativa, da dimensionalidade de saber:
Ø     A aprendizagem supõe uma construção que ocorre por meio de um processo mental que implica na aquisição de um conhecimento novo.
É uma construção interna e subjetiva, processada e construída interativamente. Ou seja, os seres humanos precisam de continuas aprendizagem que começam a ocorrer a partir da gestação.
O aprender é o caminho para atingir o crescimento, a maturidade e os desenvolvimentos como pessoas num mundo organizado, já as interações com o meio nos permitem organização do conhecimento.

A aprendizagem é um processo que ocorre durante toda vida. A definição da mesma como frisei no inicio é complexa, mas nos parece útil por abrangê-la no sentido mais amplo que é um processo integral que ocorre desde o principio da vida.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

DESAFIO NAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM.


O principal desafio que psicopedagogos, pais, educadores e profissionais que trabalham com crianças que enfrentam dificuldade no aprendizado é o de ajudá-las a aumentar a confiança em si mesmas, acreditar nas suas capacidades. Devem saber que as pessoas aprendem de maneiras diferentes e que sua energia pode ser encaminhada para encontrar estratégias adequadas para sua aprendizagem, ou seja, canalizar essa energia direcioná-las para que essas crianças se desenvolva “normalmente”, ao invés de  buscar formas de esconder suas dificuldades.


Por isso, os psicopedagogos, os pais, educadores e profissionais que trabalham com essas crianças têm uma grande responsabilidade. Suas habilidades de observação, de detecção de problemas, saber como dar feedback e definir como e quando intervir são de suma importância para o desenvolvimento dessas crianças.


Estas crianças precisam de um ambiente seguro, estimulante, onde os erros sejam permitidos e assumir riscos seja incentivado.  Quando sente que aprender experiência excitante onde se pode sentir prazer, então isso se transformará em algo que nunca termina, durará a vida toda, uma criança quando se sente segura, protegida tende a se desenvolver melhor.
As crianças aprendem a esconder suas dificuldades com condutas como:
ü Ser o palhaço da classe;
ü  Manter-se calada;
ü Adoecer;
ü Fugir das responsabilidades;
ü  Demonstrar desinteresse;
ü  Apresentar mau comportamento;
ü Ser violento;
ü Ser birrento;
ü Ser respondão;
ü Frequentemente isolam-se.


 Escondem-se ou evitam fazer algumas coisas, pois  assim ninguém pode magoá-las. Estas máscaras protetoras que utilizam para não serem chamadas de incapazes, lentas ou intratáveis isolam-se socialmente. É importante ajudar essas crianças a conhecerem seus pontos fortes, a compreender que suas dificuldades não existem por falta de capacidade; a descobrir estratégias que sejam uteis na sua aprendizagem. Em certo sentido a criança aprende da sua imagem de si que recebe do outro, assim quanto mais integradora for à imagem eu proporcionam a ela seus pais, e  depois seus educadores, maiores as possibilidades para reconhecer suas potencialidades e carências.
O adulto que trabalham com crianças com dificuldade e as próprias crianças sabem o que elas NÂO podem fazer, poucas vezes é mencionado o que fazem bem ou as áreas nas quais existem pontos fortes. Os comentários dos educadores e pais giram em torno da sua imaturidade, desorganização, da forma como se movimentam, sua linguagem como NÂO escutam, como NÂO respondem e como NÂO seguem instruções; como escrevem mal, como leem suas dificuldades em matemática ou NÂO terminam suas tarefas.
O futuro dessas crianças está nas mãos das pessoas que estão ao seu lado na aprendizagem; a confiança em si mesma, a capacidade de tomar decisões, a habilidade para resolver problemas, a autonomia, a motivação para atingir objetivos dependerá da forma como elas forem apoiadas. Não existe uma receita única. Cada criança é um ser humano único e importante. Respeitar essa individualidade, aceitar diferentes formas de pensar, de sentir, de agir e de aprender é um ponto básico na educação destas crianças.
A pessoa enfrenta processo de aprendizagem como uma totalidade, ou seja, a partir das suas emoções, ou seu corpo, sua capacidade intelectual, seu esquema referencial. Quando surgem dificuldades neste processo estas não devem ser enforcadas isoladamente. Ainda que me possam manifestar-se na área emocional ou na orgânica, na área intelectual ou na social, o importante é não perder de vista que toda a personalidade é afetada.
Aprender é um processo complexo e multifacetado que apresenta bloqueios e inibições em todos os seres humanos. É fundamental que, quando surgir um conflito, não o qualifiquemos como um problema, tentando evitar a consciência do transtorno. Uma pessoa enfrenta diversas situações com os filhos ou alunos como:
Ø     Às vezes pode parecer obsessivo diante de uma tarefa, pode aceitá-la de bom grado ou rejeita-la quando a vê-la;
Ø     Às vezes pode apresentar crises diante de um problema que não consegue resolver e outras vezes podem manejar a dificuldades e aceitar refazê-lo;
Ø      Às vezes participa ativamente na sala de aula e outras vezes se isola. Todas estas condutas aparecem numa mesma criança e não necessariamente refletem um problema.

 O que chamamos a atenção é quando essas condutas se repetem com frequência devem se preocupar e procurar ajuda ou se já estiver sendo acompanhado pelo psicopedagogo na instituição é hora de mudar para o clinico. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

       CONDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA APRENDER.


A aprendizagem é uma função integrativa, onde se relacionam o corpo, a psique e a mente para que  o indivíduo possa apropriar-se da realidade de uma forma particular.


Levando em consideração este fato, entendemos que o ser humano faz, sente e pensa. Por isso, é importante não somente focalizarmos as funções cerebrais e sua relação com os processos cognitivos, mas também entender que cada indivíduo terá sua forma particular de processamento de informação, que não depende somente do cerebral, mas também está arraigada no psíquico. A estrutura psíquica é aquilo que habitualmente chamamos de afetividade.
Para poder entender o complexo processo que entra em jogo na aprendizagem, nos parece muito ilustrativo mencionar o caso dos meninos lobo.



Por diferentes circunstancia eles cresceram à margem da sociedade moderna. Eles foram encontrados em floresta, vivendo sozinhos, selvagens e afastados da civilização. Psicologicamente permaneciam em um nível subumano. Foram realizados muitos estudos com esses meninos.
 Através de exames post mortem foi constado que a base anatômica cerebral permanecia intacta e normal. No entanto, neles não haviam sido formados os complexos sistemas cerebrais funcionais, ou dito de outra forma, as estruturas neuropsicológicas que constituem a base das funções cognitivas, ou seja, da linguagem, gnosias, práxis, atenção... Que conformam a base do psiquismo humano.
Estes meninos não haviam adquirido, e tão pouco pôde adquirir depois, uma serie de funções humanas como andar ereto ou utilizar a linguagem oral. No entanto, sabiam correr de quatro muito mais rápido que seus contemporâneos e podiam reconhecer pelo olfato o que podiam ou não comer. Haviam desenvolvido exclusivamente as funções cujos circuitos tinham sido mantidos durante seus primeiros anos de vida. Vemos, pois, que embora possuíssem a base morfológica cerebral, não tiveram a possibilidade de que esta se desenvolvesse com base na organização e reorganização funcional em virtude da aprendizagem prática e linguística que foram adquirindo durante a vida.

O desenvolvimento cognitivo é entendido então como um processo que permanentemente se transforma como resultado de continuas reestruturações que ocorrem nas diversas interações  que a pessoa estabelece. Existem momentos-chaves nos quais a estimulação permite que algumas funções apareçam e se desenvolvam.  Mesmo no caso do cérebro funcionar perfeitamente,  se a  pessoa não escuta até os dez anos de idade, por exemplo, é muito improvável que possa aprender  a falar.


 O funcionamento do cérebro e da mente depende e se beneficia da experiência. O desenvolvimento não é meramente um processo biológico, mas também um processo ativo que utiliza informação essencial da experiência. Por meio das pesquisas foram estudados os poderosos efeitos da experiência  durante períodos específicos chamados janelas de oportunidades. Outros estímulos podem produzir efeitos sobre o cérebro durante períodos mais longos de tempo.

O homem quando nasce descobre um mundo que já tem uma organização, normas sociais e uma historia. A presença dos outros seres humanos ao seu redor permite-lhe algumas manifestações simbólicas como a linguagem e o pensamento. Por meio da constante inter-relação com o mundo o individuo continua construindo sua aprendizagem e isso envolve uma atividade funcional com sentido e organização.
Levando em consideração as bases neurofuncionais e os processos psicológicos, vamos analisar os processos neuropsicocognitivos complexos que intervém na aprendizagem, ainda que não ocorram de maneira independente, para finalidade de estudo, os analisaremos separadamente.

PROCESSO NEUROPSICOLOGICOS

Ø     Gnosias – pensamento;
Ø     Práxis – linguagem;
Ø     Memoria – atenção.

As gnosias se referem ao reconhecimento de um objeto através de uma modalidade sensorial.
As práxis se referem à execução de atos voluntários complexos aprendidos durante a vida como, por exemplo, pentear-se.




terça-feira, 17 de setembro de 2013

O processo ensino/aprendizado é fascinante.


O processo ensino/aprendizado é fascilante, compreender como aprendemos e o porquê de muitas pessoas inteligentes, dedicadas e, até, mesmo geniais enfrentaram dificuldades  em sua vida escolar, é extraordinário, as dificuldades no aprendizado, é desafio que a Ciência vem deslindando paulatinamente. E com o desenvolvimento tecnológico de nossos dias, com destaque ao apoio da técnica de ressonância magnética funcional, as conquistas dos últimos dez anos têm trazido respostas significativas, relevantes sobre as dificuldades no aprendizado principalmente no que s refere o que é Dislexia.
Essa significância nos leva a complexidade do entendimento do que é Dislexia, está diretamente vinculada ao entendimento do ser humano:

Ø     De quem somos;
Ø     Do que é Memória;
Ø     Pensamento;
Ø     Pensamento e linguagem;
Ø     De como aprendemos;
Ø     E do por que podemos encontrar facilidades até geniais, mescladas de dificuldades até básicas em nosso processo individual de aprendizado.



O maior problema para assimilarmos esta realidade está no conceito arcaico de que: "quem é bom, é bom em tudo", isto é, a pessoa, porque é inteligente, tem que saber tudo e ser habilidoso em tudo o que faz. Posição equivocada que Howard Gardner aprofundou com excepcional mestria, em suas pesquisas e estudos registrados, especialmente, em sua obra Inteligências Múltiplos.  Que transformou em pesquisa cientificamente comprovada, e o alçou à posição de um dos maiores educadores de todos os tempos.



A evolução progressiva de entendimento do que é Dislexia, resultante do trabalho cooperativo de mentes brilhantes que têm-se doado em persistentes estudos, tem marcadores claros do progresso que vem sendo conquistado. Durante esse longo período de pesquisas que transcende gerações, o desencontro de opiniões sobre o que é Dislexia redundou em mais de cem nomes para designar essas específicas dificuldades de aprendizado, e em cerca de 40 definições, sem que nenhuma delas tenha sido universalmente aceita. Recentemente, porém, no entrelaçamento de descobertas realizadas por diferentes áreas relacionadas aos campos da Educação e da Saúde, foram surgindo respostas importantes e conclusivas, como:

Ø     Dislexia tem base neurológica, e que existe uma incidência expressiva de fator genético em suas causas;
Ø     Ela é transmitida por um gene de uma pequena ramificação do cromossomo + 6 que, por ser dominante, torna Dislexia altamente hereditária, o que justifica que se repita nas mesmas famílias;
Ø      Que o disléxico tem mais desenvolvida área específica de seu hemisfério cerebral lateral-direito do que leitores normais.



 Condição que, segundo estudiosos, justificaria seus "dons" como expressão significativa desse potencial, que está relacionado à sensibilidade, artes, atletismo, mecânica, visualização em 03 dimensões, criatividade na solução de problemas e habilidades intuitivas; que, embora existindo disléxicos ganhadores de medalha olímpica em esportes, a maioria deles apresenta imaturidade psicomotora ou conflito em sua dominância e colaboração hemisférica cerebral direita-esquerda. Dentre estes, há um grande exemplo brasileiro que, embora somente com sua autorização pessoal poderíamos citar o seu nome, ele que é uma de nossas mentes mais brilhantes e criativas no campo da mídia, declarou: "Não sei por que, mas quem me conhece também sabe que não tenho domínio motor que me dê a capacidade de, por exemplo, apertar um simples parafuso"; que, com a conquista científica de uma avaliação mais clara da dinâmica de comando cerebral em Dislexia, pesquisadores da equipe da Dra. Sally Shaywitz, da Yale University, anunciaram, recentemente, uma significativa descoberta neurofisiológica, que justifica ser a falta de consciência fonológica do disléxico, a determinante mais forte da probabilidade de sua falência no aprendizado da leitura; que o Dr. Breitmeyer descobriu que há dois mecanismos inter-relacionados no ato de ler:
Ø O mecanismo de fixação visual;
Ø E o mecanismo de transição ocular.



 Mais tarde, foram estudados pelo Dr. William Lovegrove e seus colaboradores, e demonstraram que crianças disléxicas e não-disléxicas não apresentaram diferença na fixação visual ao ler; mas que os disléxicos, porém, encontraram dificuldades significativas em seu mecanismo de transição no correr dos olhos, em seu ato de mudança de foco de uma sílaba à seguinte, fazendo com que a palavra passasse a ser percebida, visualmente, como se estivesse borrada, com traçado carregado e sobreposto. Sensação que dificultava a discriminação visual das letras que formavam a palavra escrita. Como bem figura uma educadora e especialista alemã, "... É como se as palavras dançassem e pulassem diante dos olhos do disléxico".



A dificuldade de conhecimento e de definição do que é Dislexia, faz com que se tenha criado um mundo tão diversificado de informações, que confunde e desinforma. Além do que a mídia, no Brasil, as poucas vezes em que aborda esse grave problema, somente o faz de maneira parcial, quando não de forma inadequada e, mesmo, fora do contexto global das descobertas atuais da Ciência.
Dislexia é causa ainda ignorada de evasão escolar em nosso país, e uma das causas do chamado "analfabetismo funcional" que, por permanecer envolta no desconhecimento, na desinformação ou na informação imprecisa, não é considerada como desencadeante de insucessos no aprendizado.



Hoje, os mais abrangentes e sérios estudos a respeito desse assunto, registram 20% da população americana como disléxica, com a observação adicional: "existem muitos disléxicos não diagnosticados em nosso país". Para sublinhar, de cada 10 alunos em sala de aula, dois são disléxicos, com algum grau significativo de dificuldades. Graus leves, embora importantes, não costumam sequer ser considerados.



Também para realçar a grande importância da posição do disléxico em sala de aula cabe, além de considerar o seríssimo problema da violência infanto-juvenil, citar o lamentável fenômeno do suicídio de crianças que, nos USA, traz o gravíssimo registro de que 40 (quarenta) crianças se suicidam todos os dias, naquele país. E que dificuldades na escola e decepção que eles não gostariam de dar a seus pais estão citadas entre as causas determinantes dessa tragédia.



Ainda é de extrema relevância considerar estudos americanos, que provam ser de 70% a 80% o número de jovens “delinquentes” nos USA, que apresentam algum tipo de dificuldades de aprendizado. E que também é comum que crimes violentos sejam praticados por pessoas que têm dificuldades para ler. E quando, na prisão, eles aprendem a ler, seu nível de agressividade diminui consideravelmente.

O Dr. Norman Geschwind, M.D., professor de Neurologia da Harvard Medical School; professor de Psicologia do MIT - Massachussets Institute of Tecnology; diretor da Unidade de Neurologia do Beth Israel Hospital, em Boston, MA, pesquisador lúcido e perseverante que assumiu a direção da pesquisa neurológica em Dislexia, após a morte do pesquisador pioneiro, o Dr. Samuel Orton, afirma que a falta de consenso no entendimento do que é Dislexia, começaram a partir da decodificação do termo criado para nomear essas específicas dificuldades de aprendizado; que foi eleito o significado latino DYS, como dificuldade; e lexia, como palavra. Mas que é na decodificação do sentido da derivação grega de Dislexia, que está à significação intrínseca do termo: DYS, significando imperfeito como disfunção, isto é, uma função anormal ou prejudicada; e lexia que, do grego, dá significação mais ampla ao termo palavra, isto é, como Linguagem em seu sentido abrangente.

Por toda complexidade do que, realmente, é Dislexia; por muita contradição derivada de diferentes focos e ângulos pessoais e profissionais de visão; porque os caminhos de descobertas científicas que trazem respostas sobre essas específicas dificuldades de aprendizado têm sido longos e extremamente laboriosos, necessitando, sempre, de consenso, é imprescindível um olhar humano, lógico e lúcido para o entendimento maior do que é Dislexia.

DISLEXIA
É uma específica dificuldade de aprendizado da Linguagem:

Ø    Em Leitura;
Ø     Soletração;
Ø     Escrita;
Ø     Em Linguagem Expressiva ou Receptiva
Ø    Em Razão e Cálculo Matemáticos;
Ø      Como na Linguagem Corporal e Social. Não tem como causa falta de interesse;
Ø     Em motivação;
Ø     De esforço ou de vontade.

Como nada tem a ver com acuidade visual ou auditiva como causa primária. Dificuldades no aprendizado da leitura, em diferentes graus, é característica evidenciada em cerca de 80% dos disléxicos. 

Dislexia, antes de qualquer definição, é um jeito de ser e de aprender; reflete a expressão individual de uma mente, muitas vezes arguta e até genial, mas que aprende de maneira diferente, como método diferente...

DISGRAFIA 

É uma inabilidade ou atraso no desenvolvimento da Linguagem Escrita, especialmente da escrita cursiva. Escrever com máquina datilográfica ou com o computador pode ser muito mais fácil para o disléxico. Na escrita manual, as letras podem ser mal grafadas, borradas ou incompletas, com tendência à escrita em letra de forma. Os erros ortográficos, inversões de letras, sílabas e números e a falta ou troca de letras e números ficam caracterizados com muita frequência.

         DISCALCULIA 

As dificuldades com a Linguagem Matemática são muito variadas em seus diferentes níveis e complexas em sua origem. Podem evidenciar-se já no aprendizado aritmético básico como, mais tarde, na elaboração do pensamento matemático mais avançado. Embora essas dificuldades possam manifestar-se sem nenhuma inabilidade em leitura, há outras que são decorrentes do processamento lógico-matemático da linguagem lida ou ouvida. Também existem dificuldades advindas da imprecisa percepção de tempo e espaço, como na apreensão e no processamento de fatos matemáticos, em sua devida ordem.
                                   
DEFICIÊNCIA DE ATENÇÃO 


 É a dificuldade de concentrar e de manter concentrada a atenção em objetivo central, para discriminar, compreender e assimilar o foco central de um estímulo. Esse estado de concentração é fundamental para que, através do discernimento e da elaboração do ensino, possa completar-se a fixação do aprendizado. A Deficiência de Atenção pode manifestar-se isoladamente ou associada a uma Linguagem Corporal que caracteriza a Hiperatividade.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

APRENDIZAGEM E CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO


A aprendizagem e a construção do conhecimento são processos naturais e espontâneos do ser humano que desde muito cedo aprende a mamar, falar, andar, pensar, garantindo assim, a sua sobrevivência. Com aproximadamente três anos, as crianças são capazes de construir as primeiras hipóteses e já começam a questionar sobre a existência.
A aprendizagem escolar também é considerada um processo natural, que resulta de uma complexa atividade mental, na qual o pensamento, a percepção, as emoções, a memória, a motricidade e os conhecimentos prévios estão envolvidos e onde a criança deva sentir o prazer em aprender.
O estudo do processo de aprendizagem humana e suas dificuldades são desenvolvidos pela Psicopedagogia, levando-se em consideração as realidades interna e externa, utilizando-se de vários campos do conhecimento, integrando-os e sintetizando-os. Procurando compreender de forma global e integrada os processos cognitivos, emocionais, orgânicos, familiares, sociais e pedagógicos que determinam à condição do sujeito e interferem no processo de aprendizagem, possibilitando situações que resgatem a aprendizagem em sua totalidade de maneira prazerosa.


Segundo Maria Lúcia Weiss, “a aprendizagem normal dá-se de forma integrada no aluno (aprendente), no seu pensar, sentir, falar e agir. Quando começam a aparecer “dissociações de campo” e sabe-se que o sujeito não tem danos orgânicos, pode-se pensar que estão se instalando dificuldades na aprendizagem: algo vai mal no pensar, na sua expressão, no agir sobre o mundo”.
Atualmente, a política educacional prioriza a educação para todos e a inclusão de alunos que, há pouco tempo, eram excluídos do sistema escolar, por portarem deficiências físicas ou cognitivas; porém, um grande número de alunos (crianças e adolescentes), que ao longo do tempo apresentaram dificuldades de aprendizagem e que estavam fadados ao fracasso escolar pôde freqüentar as escolas e eram rotulados em geral, como alunos difíceis.
Os alunos difíceis que apresentavam dificuldades de aprendizagem, mas que não tinha origens em quadros neurológicos, numa linguagem psicanalítica, não estruturam uma psicose ou neurose grave, que não podiam ser considerados portadores de deficiência mental, oscilavam na conduta e no humor e até dificuldades nos processos simbólicos, que dificultam a organização do pensamento, que consequentemente interferem na alfabetização e no aprendizado dos processos lógico-matemáticos, demonstram potencial cognitivo, podendo ser resgatados na sua aprendizagem.
Raramente as dificuldades de aprendizagem têm origens apenas cognitivas. Atribuir ao próprio aluno o seu fracasso, considerando que haja algum comprometimento no seu desenvolvimento psicomotor, cognitivo, lingüístico ou emocional (conversa muito, é lento, não faz a lição de casa, não tem assimilação, entre outros.), desestruturação familiar, sem considerar, as condições de aprendizagem que a escola oferece a este aluno e os outros fatores intra-escolares que favorecem a não aprendizagem.
As dificuldades de aprendizagem na escola, podem ser consideradas uma das causas que podem conduzir o aluno ao fracasso escolar. Não podemos desconsiderar que o fracasso do aluno também pode ser entendido como um fracasso da escola por não saber lidar com a diversidade dos seus alunos. É preciso que o professor atente para as diferentes formas de ensinar, pois, há muitas maneiras de aprender. O professor deve ter consciência da importância de criar vínculos com os seus alunos através das atividades cotidianas, construindo e reconstruindo sempre novos vínculos, mais fortes e positivos.
O aluno, ao perceber que apresenta dificuldades em sua aprendizagem, muitas vezes começa a apresentar desinteresse, desatenção, irresponsabilidade, agressividade, etc. A dificuldade acarreta sofrimentos e nenhum aluno apresenta baixo rendimento por vontade própria.
Durante muitos anos os alunos foram penalizados, responsabilizados pelo fracasso, sofriam punições e críticas, mas, com o avanço da ciência, hoje não podemos nos limitar a acreditar, que as dificuldades de aprendizagem, seja uma questão de vontade do aluno ou do professor, é uma questão muito mais complexa, onde vários fatores podem interferir na vida escolar, tais como os problemas de relacionamento professor-aluno, as questões de metodologia de ensino e os conteúdos escolares.
Se a dificuldade fosse apenas originada pelo aluno, por danos orgânicos ou somente da sua inteligência, para solucioná-lo não teríamos a necessidade de acionarmos a família, e se o problema estivesse apenas relacionado ao ambiente familiar, não haveria necessidade de recorremos ao aluno isoladamente.
A relação professor/aluno torna o aluno capaz ou incapaz. Se o professor tratá-lo como incapaz, não será bem sucedido, não permitirá a sua aprendizagem e o seu desenvolvimento. Se o professor, mostrar-se despreparado para lidar com o problema apresentado, mais chances terá de transferir suas dificuldades para o aluno.
Os primeiros ensinantes são os pais, com eles aprendem-se as primeiras interações e ao longo do desenvolvimento, aperfeiçoa. Estas relações, já estão constituídas na criança, ao chegar à escola, que influenciará consideravelmente no poder de produção deste sujeito. É preciso uma dinâmica familiar saudável, uma relação positiva de cooperação, de alegria e motivação.
Torna-se necessário orientar aluno, família e professor, para que juntos, possam buscar orientações para lidar com alunos/filhos, que apresentam dificuldades e/ou que fogem ao padrão, buscando a intervenção de um profissional especializado. Dicas para os pais:
  • Estabelecer uma relação de confiança e colaboração com a escola;
  • Escute mais e fale menos;
  • Informe aos professores sobre os progressos feitos em casa em áreas de interesse mútuo;
  • Estabelecer horários para estudar e realizar as tarefas de casa;
  • Sirva de exemplo, mostre seu interesse e entusiasmo pelos estudos;
  • Desenvolver estratégias de modelação, por exemplo, existe um problema para ser solucionado, pense em voz alta;
  • Aprenda com eles ao invés de só querer ensinar;
  • Valorize sempre o que o seu filho faz, mesmo que não tenha feito o que você pediu;
  • Disponibilizar materiais para auxiliar na aprendizagem;

É preciso conversar, informar e discutir com o seu filho sobre quaisquer observações e comentários emitidos sobre ele.
Cada pessoa é uma. Uma vida é uma história de vida. É preciso saber o aluno que se tem, como ele aprende. Se ele construiu uma coisa, não pode-se destruí-la. O psicopedagogo ajuda a promover mudanças, intervindo diante das dificuldades que a escola nos coloca, trabalhando com os equilíbrios/desequilíbrios e resgatando o desejo de aprender